terça-feira, junho 03, 2008

Frutos




Boa noite.
Muito boa noite..
Hoje vou contar-te uma história. Talvez não seja bem uma história. Talvez seja uma rábula, uma
fábula, uma invenção, um conto, um delírio, uma ilusão, um sonho. Hoje vou contar-te uma história.
Daquelas que não começam por "Era uma vez", daquelas que têm tudo para acabar com
"Viveram felizes para sempre..". Hoje vou contar-te uma história. Mas só se a quiseres criar.
Sim, porque as verdadeiras histórias não são contadas, são vividas, sentidas como se fossem
reais, mesmo quando são fruto da imaginação. São verdadeiras quando colhemos esse fruto com
o cuidado de o plantar para que dele possam nascer mais e mais visões, mais criações, mas
histórias.

Hoje vou contar-te uma história.

É a história de um menino. Ele gostava de subir às cerejeiras no Verão e saborear os primeiros
frutos. Ele gostava de fugir ao dono do pomar. Ele gostava de fugir. Ele gostava. Ele era o rei.
Ele corria, saltava, vivia, sorria, chorava, ganhava, perdia.
Ele contava histórias, ele inventava memórias, ele gozava com o riso, ele ouvia os murmúrios da
natureza e sentia o doce calafrio da incerteza que antecedia o milagre. Ele corria.
A adrenalina era a sua irmã, a coragem a sua mãe, o destemor o seu pai. Ele ERA a aventura.
Um dia tudo tremeu.O seu mundo abalou, os seus alicerces transformaram-se de rochas imóveis
em areias movediças. O seu centro de gravidade desapareceu, ele caiu para o céu, tudo mudou.

Ela chegou.

Ela chegou , inesperada como os aguaceiros de Verão. Ela chegou e ele não estava preparado.
Ela chegou, e ele deixou de ser o rei.
Quando ele a olhou pela primeira vez, nada o poderia ter preparado para o choque. Sentiu-se nu,
envergonhado, diminuido. Sentiu-se menor. Sentiu o sabor das cerejas sumarentas nos lábios,
sentiu de novo o toque suave da brisa marítima no seu intimo, sentiu que uma revolução estava a
rebentar no seu âmago, sentiu.
Quando o seu olhar se cruzou o destino interveio e ele desapareceu. Ela não soube ver o que
julgava imaginar. Ele não soube criar o que sonhava mostrar. Eles viram-se, não como queriam
ser, mas como eram de verdade. Os seus seres únicos, inequívocos, individuais, deixaram de o
ser. Eles olharam-se mas não se viram. Pressentiram-se mas não chocaram. Eles ouviram em
cada som os seus passos. Eles desejaram em cada toque um abraço. Ao longe, eles fecharam os
olhos. Baixando a cabeça eles sonharam. Sonhando eles voaram. Voando deram as mãos. E de
repente acordaram. E ao longe. Sempre ao longe. Cada um escutou... E viu-se reflectido num
murmúrio. Ao longe, eles fecharam os olhos. Reconheceram-se. E marcaram-se um ao outro com
a tinta indelével do sentimento e do instinto.

Hoje vou contar-te uma história.
Talvez não seja bem uma história.

Depois daquela tarde, nenhum outro dia foi o mesmo. Ele voltou a subir às cerejeiras, mas os
primeiros frutos eram para ela. Ele fugia, sempre para ela, às vezes por ela, nunca dela.Ele não
era o rei, mas ela era a sua princesa. Depois daquela tarde, nenhum outro dia foi o mesmo. Ela fingia não o esperar assim que o seu coração se acalmava por o ver chegar. Ela vestia a saia vermelha e pensava nas cerejas que ele lhe traria mais tarde. Os frutos eram o seu dote. Ela não sabia o que era o mar, a que sabia o luar sobre a sua pele até àquele verão. A noite caía e todo o universo era ele, o céu estava negro sem estrelas, pois as estrelas tinham ido buscá-lo e tinham ficado esquecidas no seu olhar.
O seu olhar.
O seu olhar era tudo. Fora num olhar que tudo começara. Num olhar.
Ela vestia a saia vermelha. E lembrava-se de quando brincava. Ela vestia a saia vermelha, e
deixava de ser ela, passava a ser dele. A inocência não é mais que a primeira cereja que ele colheu para ela. Ela recorda o sabor da primeira cereja. Ela sente o seu aroma suave. Ela lembra-se. Ela sabe. Que depois daquela tarde, nenhum dia foi o mesmo.
Uma noite ele não chegou. Ela esperou. Ela escutou. Mas a noite que era sua não lhe trouxe o
que ela pediu, não lhe ofereceu a outra parte de si.
Uma noite ele não chegou.
Uma noite ela não estava lá. No final do seu labirinto. Nessa noite, nem a Lua o ajudou. As estrelas perderam-se nos seus olhos e não o guiaram.As estrelas perderam-se.
Uma noite.
Nessa noite tudo se dissolveu, mundos nasceram e ruiram, e ele gritou. Ele soltou a sua alma em
busca dela. Ela gritou. Ela clamou pela sua própria identidade perdida nele. Nessa noite, a Lua não subiu acima das nuvens, ficou ali, bem baixa, testemunha da dor e da separação. Nessa noite, eles superaram os seus limites e tornaram-se humanos. Não mais rei e princesa, simplesmente ele e ela. Nessa noite o Sol não quis nascer. Mas o destino interveio e a madrugada trouxe com ela o brilho das cerejas acabadas de colher. E eles viram, eles olharam e acreditaram. Eles sentiram fome e pararam de olhar em volta. Fecharam os olhos. Como naquela tarde. Deram um passo atrás. E chocaram. Costas com costas, ambições com atitudes. O início de um abraço.
Que os voltou para o futuro.
Nessa manhã eles separaram-se sem temor. Nessa manhã ele não sabia para onde ia. Mas sabia que tinha para onde voltar. Essa manhã, foi a primeira de todos os dias. Essa manhã foi a primeira. De todos os dias.Do resto da sua vida.
Talvez não seja bem uma história.
Talvez seja.
Mas só se a quiseres criar.



Miguel Encarnação
2h27min
3 Junho 2008

sexta-feira, maio 23, 2008

Adeus



Quando acordou nessa manhã, os raios de sol brincavam por entre as frestas da persiana corrida, cinco linhas de onze tracinhos que se esforçavam por iluminar o quarto. De frente para a janela estava uma cama antiga, de mogno escuro, com formas, esculturas como torres de castelos medievais e mesquitas arredondadas, peças delicadas ou fortes, mundos nascidos do cinzel e do torno e das mãos do carpinteiro.
São sonhos de pessoas que fazem sonhar pessoas.
Ao lado da cama uma só mesa de cabeceira, do lado esquerdo, com um despertador antigo, com as marcas das incontáveis vezes que fora espancado pelo silêncio. Mas através do tempo e da força ele aguentou-se, durou, e as mãos outrora duras afeiçoaram-se a ele, e de murros passaram a festas.
E ele não falhava. Tic... Tac...
Quando acordou nessa manhã, o despertador ainda não tinha tocado, mas o Sol já brincava com as partículas que voavam, só entre as frestas da persiana, como se só a luz as activasse e lhes desse vida.
Quando acordou nessa manhã, continuou a dormir. Não podia acreditar que tudo aquilo fosse real... Mas parece tão real! - pensou...
Por baixo da janela, fora do efeito das tranças que iluminavam o seu espaço, uns olhos sorriram-lhe. Aqueceram-no por dentro. Disseram: Bom dia meu pequeno. Aproximaram-se. Os olhos.
-É isto o fim? - perguntou - Acabou?
- Não, meu pequeno, não é o fim. Tu sabes quem eu sou. Tu sabes o que sou.
Os olhos.
Quando ele acordou nessa manhã, afagou o despertador para o desligar.
Quando ele acordou nessa manhã, abriu a persiana até cima. Chovia. Nessa manhã ele abriu a janela e caminhou à chuva. Sentiu cada gota, saboreou cada segundo. Olhou o Sol por trás das nuvens, por trás do céu, e sorriu.
Nessa manhã, pela primeira vez o fiel despertador não despertou, quebrou, partiu, ruiu.
Nessa manhã o Sol não furou pelas frestas da persiana.
Nessa manhã ele não acordou.

Miguel Encarnação
20 Maio 2008
14h43min

quarta-feira, maio 14, 2008

Perspectivas - Another nonsense essay


Nasce a noite, hoje é dia de celebrar. Hoje nasci. Descobri-me dentro de mim, iluminei-me e sabes que mais? Não gostei de tudo o que vi. Sim, sim, é uma hipocrisia e arrogância, estar praqui a falar de mim, mas eu não estou a falar, estou a escrever…

E-S-C-R-E-V-E-R ! Capisce? Quero lá saber que o mundo me imponha barreiras, que tenha de viver limitado pelo que sei, pelo que não sei, por tudo o que sinto e não sinto, tudo o que devia sentir e sinto mesmo e que não sinto mas devia sentir ou que não devia sentir e tudo isso.. Espirais! Espirais dentro de círculos, nada mais! Não passa tudo de uma esquizofrenia paranóica que me leva inexoravelmente no caminho da loucura. Afinal para que serve tudo isto? Eu nem acredito em deuses e céu e inferno e essas tretas todas! Tenho que fazer tudo de acordo com umas regras estereotipadas que ninguém sabe quem escreveu, mas que nos ensinam desde putos, para seguirmos o caminho certo em direcção ao céu, como um rebanho de ovelhas virado ao curral, mas o pastor na realidade não vai à procura da ovelha tresmalhada… Deixa-a aos lobos!

Será normal sufocar mesmo ao ar livre (sim, chama-se asma…), porque raio não pode toda a gente tar numa boa? Ah claro, depois como é que se sabia que estávamos bem, se não podíamos comparar? TRETAS! Causalidade, casualidade, parece tudo o mesmo… Que raio de efeito é que terá de se passar por esta causa? Hã? Tudo isto é inútil. A minha escrita é inútil, cada conversa é inútil, o próprio mundo é inútil, então para que servimos nós? Nós passamos por entre toda esta inutilidade, esta irrevogável inutilidade que nos contamina, que nos torna cada vez mais, em doses pequenas ou de forma atómica (é tudo de uma vez, pra quem não sabe) INÚTEIS! Mas hey, eu não me sinto inútil, tu sentes-te? Claro que não, cada olhar é uma perspectiva diferente não é? Perspectivas… Não será isso uma palavra fina, um eufemismo para manias? Uma peça vermelha, não é por ser olhada por um daltónico que passa a ser castanha ou azul! Perspectiva é uma construção cultural dos apologistas da diferença. Somos todos humanos, hello? O que é arte? Consegues definir arte? É que nem vou seguir por aí… Pelo menos aqui sou livre. Posso escrever que és minha, e onde está a autoridade de alguém para o negar? De uma qualquer PERSPECTIVA tu és minha, não é assim?
Ironia… Aí está uma invenção brilhante! Nunca falha! O quê, achas-me arrogante? Bah, visto da perspectiva correcta é ironia com um fino toque de sarcasmo, percebes? Exacto, lá está… Círculos dentro de espirais! E é melhor parar, diria que já escrevi de mais. Depende do ponto de vista…Ou melhor, da perspectiva!

00h23

14 Maio 2008

MelancholicSoul

terça-feira, maio 13, 2008

Hoje o Céu está branco



Hoje o céu está branco
Há carros vermelhos, carros azuis
Há carros.
Há sons, são murmúrios, são buzinas
Há som.
Pessoas esperam, pessoas avançam
Outros ficam.
Cai a tinta das paredes
Hoje o céu está branco.
Hoje a linha segue em frente
Há orvalho sobre a vinha
Poste, linha. Poste, linha.
A relva foi cortada rente
Hoje o céu está branco
Ninguém voou.
Mas há um telhado no meio do nada
Vejo laranja no meio do verde
Vejo ramos erguidos em veneração
Ao que está para lá das nuvens
Ao que aquece quase sem queimar
Ao Sol escondido a brilhar
Sopra o vento devagar
Ameaça partir, sem chegar a tanto
Dançam as folhas a respirar
Hoje o céu está branco.

10h24min
12 Maio 2008

MelancholicSoul

Desta vez dou-vos um total nonsense, durante uma viagem de comboio ;)
Enjoy, e comentem!

segunda-feira, maio 12, 2008

Didascálias

Já há muito que não postava..deixei passar em branco o segundo aniversário deste vosso blog, mas agora vou voltar com mais textos em breve, e quem sabe uma remodelação no layout ;)

Agora deixo-vos algo que escrevi sobre uma das minhas paixões, o Teatro...

Toc...
Toc Toc...
Ouvem-se as pancadas do francês
Vai cair a nossa venda
Vão cair todas as vendas
Toca o som do destino
E o destino é entrar
O destino é sentir, é reagir, é viver
O nosso destino é Ser
Cai a luz, sobe a luz
Passam segundos como horas
Passam dias como manhãs
No nosso mundo que é real
Fazemos de uvas maçãs
Caímos aos pés de qualquer mal
Esquecemos as fronteiras do normal
Nós escrevemos, improvisamos
Criamos e sentimos a dor
Vivemos e simulamos o amor
Morremos, mas não nos importamos
Orgulhosos dos aplausos que ignoramos
Porque nesta escritura do Destino
Que nos deu Eusébio e Amália
Nesta peça do Tempo sobre o Universo
Serei sempre mera didascália.

10h33min
12 Maio 2008

MelancholicSoul

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

domingo, janeiro 27, 2008

Gota




Descobrem-se as gotas que inesperadamente
Afloram
Destroem
Deformam
Criam sem viver
São raízes
Elevam-se para a vida...
Procuram o calor das estrelas
Que iluminam e ofuscam o olhar perdido...
Vagueante num mar de dúvidas
Focando o epicentro da solidão...
Encadeado pela explosão alargada da melancolia
Como preso voluntário
Numa prisão de ironia...
Vulgo beijo...
Despedida
Lágrima caída
Arrependida...

Caiu...


Este é dedicado à Ritinha*

Melancholic Soul
out.

terça-feira, janeiro 08, 2008

É noite




É noite
Ou será apenas presença de escuridão?
Somos sensíveis à luz
Porque não ao coração?
Também ele vê, só ele sente
Se os olhos são ferramenta
Ele é pedra basilar
Se a cabeça aguenta
Ele ainda assim pode expirar...

Já perdi a conta aos momentos
Em que a força começa a faltar
Já esqueci sentimentos
Na ânsia de os prolongar
Mas nunca deixei de saber
Que tal como os raios do Luar
Não deixam a escuridão vencer
Meu Coração há-de viver...
Á viva força de te Amar.

Melancholic Soul
07/01/2008
18h14min

You're everything Smart Girl ;)

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Fotografia




Escutam-se murmúrios ao furar a multidão
Enquanto te espero inquieto
Divago numa enseada
Afogando-me em incertezas
Salvo apenas por uma convicção

Conversas cruzadas, palavras perdidas
Ideias escolhidas, frases desencontradas
Eis que sucumbe num ímpeto a força
Incontrolável, mas limitada
Ilimitadamente controlada
Fugindo aos arreios da razão
Tal é a fisionomia do instinto
Contraditória na sua essência
Explanatória da sua verdade
Mas espontânea, tal como a demência
Pensamentos, vontades, ideias em liberdade...

Vou gritar!
Vou negar!
Vou explodir!
Vou murmurar o que sinto
A cada parede, a cada rocha
A cada flor que desabrocha
Como homenagem ao efémero
A cada totem da simplicidade

Pois às pessoas não as conheço
Há ambiguidade, traição
Perderam-se as virtudes de criança
Quando falávamos com o coração...

O que é o mundo mais que paisagem
Floresta recôndita, savana luzidia
As pessoas são meros instrumentos, de passagem
Máquinas que gravam o sentimento em fotografia.


19/12/2007
Melancholic Soul

quarta-feira, novembro 28, 2007

True, true...

"Hoje olhei em volta e não vi ninguém...
Olhei-me ao espelho e ninguém vi...
Hoje, sem ver e sem olhar percebi...
Que os meus olhos só te vêm a ti."

sexta-feira, novembro 23, 2007

-É

É triste a sina de quem espera
Atrás do véu das palavras
Mostrando a luz de um caminho
Outono da sua alma
Trocando as voltas ao destino
Enganando a saudade

Justamente quando pensamos que não há nada a fazer
Ultimam-se os preparativos para o corpo desfalecer
É aí que os amantes se reúnem...fazendo a alma renascer!

Melancholic Soul

segunda-feira, novembro 12, 2007

Just to break it...

Love is stronger than the icy cold...
And a kiss was all it took =)
*****

sexta-feira, novembro 09, 2007

Como o tempo que flui...



Porque será que a saudade torna as esperas tão difíceis?
Da mesma forma torna as despedidas impossíveis
Porque cada vez que te afastas levas um pedaço de mim
E o tempo em que não chegas é um precipício sem fim...

Cada plano, cada combinação
É tudo uma força, um movimento
Um fluxo constante, um surgimento
É a saudade tornada erupção
É o fluido vital do coração
Caindo...
Descendo...
Deixando uma cicatriz na própria alma...

Só tu tens o poder de a fazer parar
Só os teus lábios podem selar esta agonia
Só o teu beijo me leva a flutuar
E no meu caos abraçar a harmonia...

Vem...
Espero-te...

segunda-feira, outubro 29, 2007

Vaivem?

"Há quem procure lugar na Lua..."
"Will you take me there?"

=*

Melancholic Soul
Over and Out.

sábado, outubro 27, 2007

Love is Here


Já alguma vez se sentiram como se todo o vosso sofrimento tivesse valido a pena?
Alguma vez pensaram: se morrer agora, morro feliz?

Eu já.
Amo-te*

sexta-feira, outubro 26, 2007

terça-feira, outubro 23, 2007

Finally

Through all misery...
I've been down, but somehow I knew I would rise up
I had the strenght to carry on
You were worth all the pain I ever endured.

I am Happy now!
With you by my side...
I'm addicted to your kisses.

AMO-TE

sexta-feira, outubro 19, 2007

perguntas&respostas


Porquê?
Uma folha cai
Flutua estranhamente devagar
Susceptível ao vento se desvia
Num momento imperceptível reflectia
O raio oblíquo do luar...
Como?
Desabrocha uma flor
Abrem-se as pétalas
Procurando a luz
Encontrando
O brilho que me seduz
Que me faz viver sonhando...
Quando?
O fruto valida todo o trabalho
Valeu a pena
Teve sentido
Voando vencemos o medo
Do espantalho
Que nos afugenta do nosso milho perdido
Cedo
Respiro
As cores que giram
E me cegam
Para tudo mais excepto tu
A Lua.
A Lua és tu...

sábado, outubro 06, 2007

Quando a escrita sai do coração...

"Era capaz de passar o resto da eternidade a gritar ao mundo que te amo, se soubesse que faria alguma diferença. Mas agora, como depois, a resposta será sempre muda, e nunca uma correspondência! Obedeço pois à minha própria loucura, na ilusão que algum dia verás em mim alguém digno de amar, e num sorriso me respondas: "e eu amo-te a ti".
Não dês importância aos desabafos de um louco ( que é aquilo em que um apaixonado sem esperança se torna...)"

Beijo.*

quarta-feira, outubro 03, 2007

Ás vezes basta um olhar...

Apeteceu-me escrever pela alegria de o fazer
Quis passar pra palavras o modo como me fazes sentir
Quero transformar em letras como é bom viver
Como sabe bem falar sabendo que só tu me podes ouvir...

Sim a vida não é tão monótona como parece
Não está sempre tudo bem
Mas não serão só pontos de vista?
Onde um sentimento permanece
só muda a emoção de quem
Apesar das adversidades persista
Nesta busca, corrida espiritual
Queda abrupta
Precipício emocional
Onde sucumbindo à gravidade flutuo
Qual para-quedas que me ampara e mostra o caminho
Bebendo do teu combustível, o carinho...

Ás vezes basta um olhar
Noutras sinto-me sôfrego
Irascível incontrolado
Anseio pelo contacto
Prender-te num abraço fechado
Açambarcando o meu mundo em ti
A eternidade num momento
Perfeição controlada..

Mas eis que surge ainda um senão
Um retido desejo
Não bastando o toque suave da tua mão
Os meus lábios imploram um beijo...

Take it, it's yours...

Melancholic Soul